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Dilma x Serra

Enquanto nos deparamos com índicadores sofríveis na área da Educação, os candidatos Dilma e Serra têm, praticamente, reduzido o debate à discussão religiosa, a partir de temas como aborto e casamento gay. Vivemos em um país com 25,7% de analfabetos funcionais, onde a escolaridade média é de 7,2 anos, onde apenas 53,8% concluem o ensino médio e somente 30,5% chegam ao ensino superior. E os candidatos pouco falam sobre planos para um setor crucial no que tange o desenvolvimento real da população excluída.

O sociólogo Francisco Oliveira fez uma análise sobre o resultado do primeiro turno, pontuando a falsa divergência entre Serra e Dilma, que segundo Oliveira, beneficiou Marina e empurrou a eleição para o segundo turno. Se antes, parecia garantida a vitória da candidata do PT, agora há um suspense…

Leia a entrevista que Francisco Oliveira concedeu ao jornal independente Correio da Cidadania, onde avalia a atuação da esquerda socialista na eleição.

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Por mais que o Tribunal Regional Eleitoral veicule anúncios com esclarecimentos ao eleitor, sempre ficam algumas dúvidas na hora de votar. Relacionamos, aqui, algumas dicas para que a sua eleição seja muito bem sucedida.

Se você não tem título de eleitor:

É possível tirar segunda via até a próxima quinta-feira em qualquer cartório eleitoral. Não há cobrança de taxa e o documento fica pronto na hora. Somente o eleitor que adquiriu título até o dia 5 de maio pode solicitar segunda via.

Se você chega para votar sem o título de eleitor:

Não será permitido votar sem o título. E o eleitor ainda precisa apresentar um documento oficial de identificação com foto. Valem carteira ou identidades funcionais, certificados de reservista, carteiras de trabalho, carteira nacional de habilitação com foto e passaportes.

Se esquecer o local de votação:

No site do TSE, as seções ” serviços ao eleitor” e “título e local de votação” informam, ao eleitor, aonde ele vota.

Se precisar justificar:

O eleitor pode justificar sua ausência quantas vezes for necessário. Mas, lembre-se, é preciso justificar nos dois turnos. O eleitor que estiver fora da cidade, e precisa justificar, deve dirigir-se a qualquer ponto de votação com título, documento com foto e formulário de justificativa preenchido (o modelo está na página do TSE). Ou comparecer ao seu cartório eleitoral até o dia 2 de dezembro (primeiro turno) e 30 de dezembro (segundo turno), com os documentos e o comprovante da ausência (atestado médico, passagem de viagem, etc.) Ou ainda comparecer a qualquer cartório eleitoral, caso perca as datas estabelecidas pelo TSE.

Se não votar, nem justificar:

No Brasil, o voto é obrigatório e não comparecer às urnas implica em punição. É preciso comprovar a quitação com as obrigações eleitorais ao pedir passaporte, renovar matrícula em estabelecimentos de ensino oficiais ou fiscalizados pelo governo, ao se inscrever para concursos públicos e para obter empréstimos em bancos públicos. Se você não votar em três turnos consecutivos terá seu título cancelado.

Se quiser votar em apenas um candidato ao Senado:

Serão eleitos dois senadores para cada estado. É possível votar em dois candidatos, em um ou em nenhum. Se você quer votar em apenas um candidato, deve votar em branco na segunda opção para o Senado ou digitar número de outro candidato o que incorrerá na anulação apenas daquele voto.

Se quiser levar santinho na hora de vota, usar camiseta e boné de candidato:

É livre a manifestação individual e silenciosa. Vista a camisa, se quiser. Também é permitido levar cola na hora de votar. Se anotar os números, siga a ordem da votação para não se confundir: deputado estadual, deputado federal, senador (primeira vaga), senador (segunda vaga), governador e presidente.

Se precisar pedir ajuda na hora de votar:

Só os portadores de necessidades físicas poderão ter ajuda de outrém na hora do sufrágio e tem preferência nesta hora. Há urnas com botões em Braille para deficientes visuais.

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Fala, Jefferson!

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Entrevista: Jefferson Moura

Jefferson Moura, o candidato do PSOL ao governo do estado, é sociólogo, administrador hospitalar e mestre pelo Programa de Política Social da Faculdade de Serviço Social da UERJ. Filho de pais mineiros, é carioca por opção. Em sua militância política, participou da Pastoral da Juventude, de movimentos estudantis e sociais. Como ex-metalúrgico, engrossou as fileiras da oposição sindical. Um dos fundadores do PSOL, e membro da Executiva Nacional, aos 36 anos, é o mais jovem postulante ao cargo de governador. Nesta entrevista, Jefferson fala sobre prioridades, segurança pública, educação pública integral e o caos no sistema transportes.

Quais as principais propostas do PSOL para o governo?

Minha prioridade absoluta para o governo é a educação pública de qualidade, com horário integral. Sem Educação não há transformação. São 25 anos da construção do primeiro Ciep e queremos resgatar a educação pública de qualidade. Também priorizo a Saúde Pública, com ênfase no PSF – Programa de Saúde da Família — e contra a privatização dos serviços. No transporte, farei a revisão das concessões de trens, barcas e Metrô, que não oferecem à população um serviço público de qualidade. Também farei uma política de segurança que tenha a defesa da vida em primeiro lugar, tanto da população quanto dos profissionais de segurança, oferecendo aos profissionais do setor remuneração adequada e treinamento. Na questão das drogas, vou tratar os usuários como questão de saúde pública, não de polícia.

Enfim, proponho a renovação na política. Meu governo será de participação popular, com eleição para gestores nas áreas de saúde, educação e segurança por meio de consulta popular cujos critérios deverão ser definidos com a sociedade. No que se refere ao desenvolvimento econômico, os projetos têm que levar em consideração a ‘sustentabilidade’ ambiental, considerando o potencial turístico e as riquezas naturais do Rio de Janeiro. Defender o meio ambiente é defender a vida. Também estarei na luta pela manutenção dos ‘royalties’ do petróleo do Rio de Janeiro. A emenda Ibsen rompe com o pacto federativo. O Rio de Janeiro tem seus direitos históricos e os de reparação dos danos pela utilização dos seus recursos naturais.

A proposta do PSOL é integrar as polícias estadual e federal e a guarda municipal para desenvolver um sistema integrado de segurança. Como isso se dará?

Usando a inteligência em vez da truculência. Farei a articulação das polícias estaduais e federais e das guardas municipais para desenvolver um sistema integrado de segurança do cidadão no combate ao crime, mas sempre priorizando a proteção da vida sobre o patrimônio. Falando de maneira mais abrangente, é preciso haver a integração das diversas esferas da segurança como garantidora do patrimônio público, organizadora do trânsito e orientadora da cidadania. Também criarei, em cooperação com a OAB e o Ministério Público, Centros de Cidadania que proporcionem apoio jurídico permanente às populações marginalizadas ou em situação de risco. É preciso entender que não há “pacificação” de verdade sem uma política de segurança que tenha a defesa da vida em primeiro lugar, com um policiamento comunitário ao redor dos bairros e o policial integrado à comunidade e respeitado por ela. Falo da vida da população e também da dos agentes de segurança, com dignidade, bons salários, oferecendo aos profissionais do setor uma remuneração adequada e treinamento correto. Vou criar a Corregedoria Externa, com o controle externo dos serviços de segurança, e a PM vai voltar a controlar o tráfego nos principais “gargalos” do trânsito e vai haver a racionalização do patrulhamento ostensivo nas vias e áreas mais movimentadas, sempre com o uso da inteligência na prevenção da criminalidade, em prol da defesa da integridade física dos pedestres, moradores e motoristas.

Como é possível melhorar, de fato, a educação, um dos pilares na garantia de cidadania e real desenvolvimento?

Valorizando os profissionais da área, com plano de cargos e carreira e melhor remuneração, para que os melhores profissionais não se restrinjam a trabalhar em escolas privadas que, “teoricamente”, pagam bem. E digo teoricamente porque esse “pagar bem” poderia ser ainda melhor em ambos os casos, ou seja, nas escolas públicas e privadas. Afinal, é um absurdo um professor ganhar menos que um cabo eleitoral, por exemplo, desses candidatos ricos nessas eleições. E vou resgatar a educação pública integral criada há 25 anos por Brizola e Darcy Ribeiro com os CIEPs, dando estudo, lazer, alimentação balanceada, leitura e informação ao aluno, criando espaços para ele se desenvolver física e intelectualmente, com quadras de esporte, bibliotecas e a chamada “inclusão digital”, dando acesso à informática e à tecnologia para o aluno pobre.

Um dos principais problemas, hoje, é o sistema de transporte. Como garantir a qualidade do serviço de modais como Metrô, barcas e ônibus?

Minha prioridade no setor é o transporte público eficiente, com ênfase no metrô, nas barcas e nos trens, que estão sobrecarregados e não oferecem um bom serviço. Ônibus é atributo da Prefeitura. Enfim, privatizaram os transportes públicos dando a desculpa de melhorá-los, mas eles pioraram. Só as estações de embarque e desembarque ficaram mais “bonitinhas”… Por isso, farei a auditoria dos contratos de concessão, revendo-os para evitar distorções e irregularidades, além de exigir das empresas concessionárias o cumprimento de todas as cláusulas como prazos, intervalos entre as linhas de transporte no atendimento ao público, normas de segurança, manutenção eficiente, etc. Eu proponho um novo marco regulatório que democratize a gestão do sistema, facilite a fiscalização pelo poder público e pela população e garanta a transparência na fixação das tarifas. Além disso, vou promover a regularização e integração do transporte alternativo com a função alimentadora das principais linhas troncais e do sistema metro-ferroviário, exercendo a função de transporte complementar para locais e horários de menor demanda.

Saiba mais sobre a plataforma eleitoral de Jefferson Moura aqui.

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Opção…o PSOL!

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Sei que o debate da Band aconteceu há mais de uma semana…Mas vale a pena ler o artigo do jornalista Eugênio Bucci sobre Plínio de Arruda Sampaio, candidato à presidência pelo PSOL, escrito depois do embate entre os candidatos.

Veracidade subjetiva e a paz de espírito

Por Eugênio Bucci
“Twitter, my friends!”

Assim falou Plínio de Arruda Sampaio. E prosseguiu:

“É twitter! Eu sou o maior twittador agora.”

Com essa conclamação, o candidato à presidência da República pelo PSOL intimou seus seguidores a “twittar” e entrar “diretamente” no debate político. Aos 80 anos de idade, vem esbanjando jovialidade – e não apenas quando demonstra familiaridade com certas modas tecnológicas. No debate da TV Bandeirantes, na quinta-feira (5/8), era ele o mais bem-humorado, o menos previsível, o menos careta. Plínio tinha mais frescor e mais presença de espírito. Roubou a cena, como disseram.

Nos dias subsequentes, comentários nos jornais encontraram uma explicação plausível para uma performance tão descontraída e desapegada: Plínio não tem nada a perder. Do alto de seu 1% nas pesquisas eleitorais, pode arriscar tudo, pois, mesmo perdendo tudo, não perderá grande coisa. E até poderá sair ganhando, ou seja, poderá ganhar simpatia, poderá marcar positivamente a imagem do PSOL como um partido que não tem nada a esconder. Se demonstrar que não está disposto a trocar voto por fingimento, ele tem chance de sair no lucro, mesmo que não conquiste voto.

A explicação parece óbvia, mas, no fundo, não dá conta de decifrar o fenômeno chamado Plínio de Arruda Sampaio (aliás, quanto ao sobrenome Arruda, ele faz piada, dizendo que não é “o Arruda do DEM”, aquele tal, de Brasília, mas é “o Arruda do Bem”). Enfim, a explicação parece óbvia, mas é anêmica. O brilho particular dessa candidatura nanica não se deve simplesmente à condição daquele que, não tendo nada a perder, sai por aí bancando o franco atirador, como também já se disse. Ele não está fazendo o tipo “aventureiro feliz”. Há mais elementos nessa história, há algo mais interessante aí. No meu modo de ver, Plínio se comunica bem porque está bem – em tempo, é justamente por isso que o tema me interessa, por se referir à qualidade da comunicação política entre um candidato e seu público –, porque está inteiro no que diz. Ele dá a sensação de não ter uma agenda oculta. Ele olha no olho do interlocutor e manda ver. Que outros candidatos podem se abrir da mesma forma?

É por aí que começo a minha discussão.

Sejamos acadêmicos…

É notório, notável e incrível como o candidato do PSOL está de bem consigo próprio. Ele é “o Plínio do bem”, como brinca, e também o Plínio de bem. É por isso, também, que consegue olhar direto nos olhos da gente sem pestanejar, sem piscar, sem vacilar, e dizer o que pensa com naturalidade. Ele não tem rancor ou raiva; tem apenas determinação. E aí fazer essa conversa olho-no-olho – para usar aqui a expressão preferida do jornalista Celso Nucci, quando discorre sobre comunicação pública.

Não se pode afirmar que Plínio enuncie “a” verdade, uma vez que suas teses são, no mínimo, controversas, e às vezes carregam uma nostalgia utópica com toques de baile da saudade. Mas, de outro lado, não há dúvida de que ele fala “a sua” verdade, sem torcer nem edulcorar. Pode parecer pouco, mas isso o diferencia radicalmente dos outros. Nesse sentido, tenho a impressão que o diferencia não é tanto o programa, mas a postura pessoal, embora as duas coisas não se desvinculem por inteiro.

Quero me deter um pouco mais sobre isso de alguém falar “a sua” verdade, uma verdade na qual acredita sinceramente. Peço licença para um breve exercício de pedantismo. Vou citar um filósofo que andou em voga de algumas décadas para cá, Jürgen Habermas. Se o leitor vai se espantar, vai se abespinhar, vai falar “ah, assim não dá”, o problema é do leitor. Eu vou citar Habermas assim mesmo.

A certa altura da sua Teoria da Ação Comunicativa, o filósofo alemão se refere à “veracidade subjetiva” como uma das características da fala do sujeito orientado para o entendimento. Tem a tal “veracidade subjetiva” aquele que expressa uma idéia que, em sua consciência, de boa fé, ele toma por verdadeira. Nesse caso, “a intenção expressada pelo falante coincide realmente com o que ele pensa”, escreve Habermas. Poderíamos chamar a isso de honestidade intelectual; rigorosamente, a veracidade subjetiva seria apenas um dos aspectos daquilo que costumamos chamar de honestidade intelectual. Tanto que Habermas lista de três pretensões de validade a ser atendidas pelo cidadão que se orienta para o entendimento. As outras duas são a “retidão normativa” e a “verdade proposicional”, das quais não vou me ocupar agora. Fiquemos, então, com esse requisito apenas, o da veracidade subjetiva, ou, em outras palavras, fiquemos apenas com essa parcela do que poderia ser a honestidade intelectual. Pronto. Fim da citação de Habermas.

… mas não sejamos tão complicados

A gente olha nos olhos apertados de Plínio de Arruda Sampaio e somos convidados a crer que ele crê na coincidência entre o que diz e o que pensa. Ele parece, no mínimo parece, acreditar que o que diz coincide com o que pensa. Não é pouco, não é mesmo. Ao vê-lo discursar, o espectador não se vê surpreendido pela desconfiança de que, em privado, ele diria algo diferente. Não há sinais de que ele nos esconda uma parte do que pensa. É fantástico.

Outra coisa, totalmente outra, é saber se o que ele diz é verdadeiro. Ou, em outras palavras, outra questão seria saber se, verdadeiramente, o que ele prega representa a melhor solução para o Brasil. Devo, nesse ponto, deixar bem claro o que penso – o que também não sei se é efetivamente verdadeiro, mas ao menos é o que penso que penso. Devo declarar que, a meu juízo, as teses do PSOL nem sempre conjuminam com os desafios postos por essa outra categoria discursiva, essa tal a que damos o nome de realidade. Respeito, respeito muito alguns dos integrantes do PSOL, como o deputado federal Chico Alencar, entre outros, mas não me vejo sinceramente convencido das propostas que os unificam. Por vezes, tenho a impressão de que eles habitam outro planeta, e, nessas horas, repito comigo mesmo que o pessoal do PSOL vive no mundo da PLUA.

O que não importa. Não estou aqui para julgar que carta-programa é melhor, a desse partido ou daquele outro. Não sou comentarista político, nem cabo eleitoral de um ou outro. Falo sobre comunicação, ou, ao menos, procuro falar sobre isso e ser útil aos interessados no assunto. O meu ponto é procurar entender por que um dos candidatos, o Plínio de Arruda Sampaio, consegue uma comunicação com o público que, se não leva à cooptação e ao voto, se não serve para ganhar a eleição, ao menos inspira confiança, não no enunciado, mas no enunciante (sim, a palavra não existe no dicionário, mas você entendeu).

Se é verdade que, ouvindo o Plínio, a gente, ainda que não concorde com o que ele diz, tende a acreditar que ele acredita no que diz – e, logo, acredita que ele não está tentando nos tapear –, temos aí um ponto que merece atenção. Ele nos propõe um jogo limpo, e por isso se sobressai. Ele não é o que é por não ter nada a perder, mas talvez por não ter nada a esconder. Aí está sua veracidade subjetiva, uma condição que quase nunca a gente encontra num político.

Eu vi o debate na Bandeirantes. Senti sono, mas resisti. Às vezes, tive a sensação de que ele, o Plínio, funcionava como um anti-ponto-de-fuga em geometria. O ponto de fuga, sabemos, é aquele que, sem estar incluído nos quadrantes e na superfície que encerram o desenho, funciona para organizar as retas e semi-retas na folha de papel. É aquele para o qual convergem as linhas da perspectiva. O anti-ponto-de-fuga é o oposto disso, mas ainda funciona como a referência a partir da qual podemos compreender as inclinações dos demais. Na arena do debate, ele nos ajudava a entender a lógica dos outros, os que têm chances de vencer o pleito. Atuando no “espaço off”, servia para realçar os contrastes. Em lugar de representar o ponto para o qual as linhas convergem, representava o ponto do qual elas divergem. Plínio era o coro crítico daquele teatro, era um ET mais outsider que os jornalistas que fizeram perguntas.

Alguém dirá que todos os fundamentalistas são assim. Fechados em seus princípios supostamente puros, eles não concedem nada, nunca, e seguem adiante, possuídos pelo gozo de se supor prenhes da verdade absoluta. Eles nada têm a esconder, também, e em seus olhos se nota a luz desinteressante do fanatismo. Mas não é disso que se trata, aqui. Existe o elemento do humor, bastante acentuado, na comunicação de Plínio de Arruda Sampaio – e humor é algo que não se mistura com fanatismo e ou fundamentalismo.

A certa altura do debate, Plínio fez piadas a respeito do “bom-mocismo” dos outros três debatedores, e eu fiquei pensando nele como uma forma de “bom-velhismo”, o bom-velhismo que é seu nirvana total. Com seu 1%, ele, que é católico, está no seu auge espiritual. Não precisa de mais do que isso para estar feliz. Ele se realiza e, sem ponta de culpa, se diverte largamente. Ele está lá por missão, é verdade. Mas também está lá a passeio. Eis aí outro aspecto que distingue a comunicação que ele é capaz de pôr em marcha.

Eu via o debate, pensava nisso, pensava em bom-velhismo, pensava em Habermas, pobre de mim, e pensava que teria um artigo para escrever, pobre de você. Pensava na comunicação olho-no-olho com Plínio. Não penso o que ele pensa. Não concordo com o que ele enuncia. Mas, mesmo assim, vejo nele um homem em paz de espírito. Ele não é fanático, não é um profeta dos fanáticos, é apenas um ego tranqüilo, que, mais do que não ter nada a perder, não deve nada a ninguém.

Conheço Plínio de Arruda Sampaio de outros carnavais, de outras quaresmas, de outras procissões. Nunca o admirei tanto como agora.

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Jefferson na Band

Hoje é o primeiro debate dos candidatos ao governo do estado na Band. Começa às 22h, com participação de Jefferson Moura, candidato do PSOL. Uma boa oportunidade para saber mais sobre as propostas do partido. Vamos twittar!

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