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” A poucos metros de atravessar a roleta, o trânsito se interrompe: foi atingida a lotação. Mais alguns minutos, nova leva da boiada humana atravessa a porteira para o saguão. O clima fervente de indignação ao descaso com a qualidade oferecida pela empresa Barcas S.A explode na discussão entre uma senhorinha e os seguranças da empresa. Ela está irritadíssima, e os que estão próximos a aplaudem.

A próxima barca está marcada para as 18h25m. Quando o relógio do saguão chega ao horário e os portões de acesso não se abrem, a revolta se instaura. Durante os próximos minutos, espremidos entre si sob calor extremo, os pagantes começam a exigir o acesso às barcas. Os mais exaltados avançam aos portões de vidro e começam a esmurrá-los, gritando com os funcionários.

Às vozes da exaltação , até então jovens e graves, são acrescidos tons femininos. Os idosos e as idosas reforçam o coro. Todos reclamam do mau-atendimento”.

O relato do jovem Vítor, extraído do blog Centro de Mídia Independente, dá a exata medida da situação revoltante a que vem sendo submetidos os usuários da Barcas S.A., mesma empresa que controla o grupo da Viação 1001 e a Ponte Rio-Niterói. E a montanha de reclamações só faz crescer. Em entrevista ao jornal “O Globo” , Igor Rios foi taxativo: “pago diariamente R$8 pelo percurso Charitas-Praça XV. Ida e volta saem por R$ 16. Bem caro, né? Mas a qualidade não equivale ao preço”.

Privatizada em 1998, as barcas vem operando com um sem número de problemas que vão desde de acidentes a filas quilométricas e intervalos muito longos que impõe esperas de até 40 minutos. O reflexo desta desordem resultou em tumulto generalizado no mês de abril, quando a espera foi tamanha que houve invasão da estação com ataques a bilheterias e quebra-quebra. Cansados de reclamar, os usuários não se contiveram.

Com movimento diário de 65 mil passageiros, a Barcas S.A. parece que chegou ao seu limite. “Nossa área é menor que a soma dos sanitários de Cumbica. Não precisa pensar muito. Nós estamos nos caos. Como embolar 10 mil pessoas numa área que equivale aos banheiros de lá?”, afirmou Flávio Almada, superintendente da empresa em entrevista ao jornal O Dia, referindo a capacidade máxima de pessoas por hora.

Dona do monopólio deste serviço, a empresa foi alvo de uma CPI instaurada na Assembléia Legislativa para investigar as causas dos acidentes ocorridos há dois anos atrás e analisar o contrato de concessão das barcas. No dia 18 de abril de 2007, 20 pessoas ficaram feridas quando a barca Gávea se chocou contra o cais da Praça XV. Era o sétimo acidente em um período de 30 dias.

Com aumentos de tarifa constantes e inexplicados, as Barcas S.A. são um dos piores modais do Rio de Janeiro. Depois do incidente em abril, o governador Sergio Cabral vetou reajustes e ainda anunciou a liberação de R$ 8 milhões para melhoria na qualidade de atendimento. Por enquanto, os usuários não notaram nenhuma diferença. E o péssimo serviço se estende também às barcas que fazem as travessias Rio-Paquetá e Angra dos Reis-Ilha Grande.

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Pedestres carregam barriletes com água para venda ou consumo próprio na Praça XV, em 1830. Aquarela de Thomas Ender.

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