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Posts Tagged ‘violência’

Uma estimativa publicada hoje no jornal O Globo informa que o governo gastaria em torno de R$ 321 milhões para instalar 107 UPPs e estender o programa a um milhão de moradores de favelas onde não existem Unidades de Polícia Pacificadora. Para além dos números, o deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL, analisa porque as UPPs não chegam para todos.

” (…) É inadmissível o que está acontecendo, enquanto o Governador finge que as milícias não existem e diz que isso é coisa do passado, porque suas lideranças foram presas. Foram presas porque houve um belo trabalho do Parlamento e porque houve um belo trabalho da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado. Mas continuam funcionando. E vão crescer e vão voltar a eleger pessoas no Rio de Janeiro. Vão voltar a eleger pessoas no Rio de Janeiro. Não conseguiram desta vez porque o desgaste ainda é muito recente. Mas vão voltar a eleger políticos no Rio de Janeiro. É uma questão de tempo.

E nesse sentido é bom dizer que o projeto das UPPs de longe não resolve o problema. E me estranha muito o Governador tentar simplificar o debate sobre Segurança Pública, dizendo que o Rio de Janeiro é outro porque tem UPPs. São mais de mil favelas no Rio e as UPPs não chegam a 13 delas.

Eu estive hoje no Chapéu Mangueira e na Babilônia. Além da polícia, não há lá qualquer braço do Estado. A creche mal funciona, com o salário atrasado das professoras, o que a Prefeitura não assume. O posto de saúde não tem nenhum médico, nenhum dentista da rede pública do Estado. É mais uma vez a lógica exclusiva da polícia nas favelas – e somente a polícia.

O mapa das UPPs é revelador, o setor hoteleiro da Zona Sul, o entorno do Maracanã, a Zona Portuária e a Cidade de Deus – única área dominada pelo tráfico em toda Jacarepaguá, que tem o domínio hegemônico das milícias.

A UPP é um projeto de cidade. A UPP é um projeto que viabiliza um Rio de Janeiro desejado para os Jogos Olímpicos, onde determinados territórios são escolhidos para um projeto de cidade. Não é um projeto de Segurança Pública! E eu estranho o silêncio desse governo em relação às milícias, dizendo que o Rio está pacificado, diante do crescimento das milícias. (…)”

Leia o artigo na íntegra aqui.

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Um levantamento divulgado pelo jornal O Globo, junto a 726 alunos da rede pública municipal entre 7 e 12 anos de idade, espalhados por dez colégios, mostrou que 56% enxergam a violência como o maior problema que enfrentam no dia a dia. Estudantes de colégios em áreas de risco nas Zona Norte, Oeste, Sul, Centro e Complexo do Alemão e Maré, eles queixaram-se, especialmente, dos tiroteios, que acarretam, muitas vezes, suspensão das aulas. Na reportagem, professores relatam situações em que é preciso enfrentar a ingerência do tráfico dentro da escola. Tratei deste assunto no post “Talentos perdidos“, que relaciona o problema à questão da evasão escolar.

Uma boa mostra do cotidiano dos professores nas escolas em áreas de risco é o filme “Verônica” que conta a história de uma professora de escola pública que decide proteger um aluno perseguido, ao mesmo tempo, por traficantes e por policiais corruptos. A mãe e o pai, que trabalhava para o tráfico, são assassinados em um massacre. O garoto não morre porque está na escola. Sem saber do incidente, a professora resolve levá-lo para casa, na favela, e é alertada por vizinhos, que a criança também está jurada de morte porque recebeu um pen drive do pai que denúncia a cumplicidade entre policiais e traficantes. A partir daí, professora e aluno viram fugitivos.

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Talentos perdidos

Não foram poucos os alunos prejudicados pela violência. A prefeitura estima que 100.267 alunos da rede municipal, este ano, deixaram de frequentar a escola pelo menos uma vez. O mesmo aconteceu com 26% das crianças atendidas por creches. O motivo: tiroteio entre facções rivais do tráfico ou incursões policiais. Uma mega operação em Senador Camará, realizada no dia 4 de fevereiro, prejudicou alunos de 10 escolas municipais que tiveram o início do ano letivo adiado.

Mas os professores da rede não lamentam apenas os confrontos envolvendo traficantes e policiais que interferem no cotidiano das escolas. Eles convivem também com a violência dentro da escola. Não são raros casos de alunos perdidos para o tráfico, incluindo estudantes talentosos. Por trás de atos de depredação, agressões à funcionários e ameaças à integridade física da comunidade escolar, estão, muitas vezes, ex-alunos que passam a ser considerados delinquentes ou elementos suspeitos pela escola.

A pressão do tráfico e a invasão do espaço da escola para práticas ilícitas se evidencia quando se constata o consumo de álcool e de drogas entre os alunos – muitos dos quais engrossarão as estatísticas de abandono dos estudos. Equipar professores e diretores para enfrentar este problema certamente resultará na diminuição dos índices de evasão, aumentando as chances de uma real inclusão social.

Esse é um dos objetivos do Programa Interdisciplinar de Participação Comunitária para a Prevenção e Combate à Violência nas Escolas da rede municipal – proposta de meu mandato que virou lei há dois anos e nunca foi adotada pela Secretaria Municipal de Educação.

A partir da criação de grupos de trabalhos interdisciplinares, as escolas terão um instrumento para prevenir a violência nas escolas. De acordo com a lei, o programa será coordenado por um Núcleo Central formado por técnicos das secretarias de Educação, Saúde, Assistência Social, das Culturas e Esporte e Lazer, representantes dos Conselhos Municipais de Educação e de Saúde e membros da Promotoria da Infância e da Juventude e de associações de moradores.

A despeito de conviver com baixos salários, turmas superlotadas, prédios em péssimas condições de funcionamento, os professores têm um compromisso com a qualidade de ensino. Eles precisam também estar preparados para lidar com a realidade social e ter capacidade de auxiliar seus alunos na vida fora da sala de aula.

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A violência contra os professores na manifestação, semana passada, em frente a Assembléia Legislativa.
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